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quinta-feira, 23 de junho de 2011

E O SALÁRIO Ó...

Como nós, brasileiros, temos imensa facilidade em esquecer escândalos e absurdos ocorridos na política brasileira, resolvi refrescar um pouco nossa memória.

Salário; salário, SALÁRIO. Dinheiro, moeda, grana, money, bufunfa... O que isso significa para você?

Salário: s.m. Remuneração, pagamento, recompensa por serviços prestados. Ordenado, vencimentos.
Salário mínimo: a menor remuneração devida, por imposição legal, a trabalhador de qualquer categoria.

Essa palavra foi uma das mais faladas no Brasil nos últimos meses. Por mais que se fale e por mais que debates sejam elaborados em torno desta pequena palavra parece que muita gente não entende o que ela realmente quer dizer.

Em dezembro de 2010 testemunhamos um aumento astronômico no salário dos parlamentares brasileiros, aumento este estipulado pelos próprios legisladores, como foi comentado neste blog (´´Procura-se aumento´´ - http://daparamudar.blogspot.com/2010/12/procura-se-aumento.html ). Notamos que, embora os planos fossem de aumentar em 62% as cifras de cada deputado, pouco se debateu sobre os reais efeitos que esse boom salarial causaria em todo o país. Medida irresponsável, que em tempo recorde fora aprovada pelos representantes do povo no Parlamento.

Como se não bastasse, com o aumento no plano federal, os legisladores estaduais e municipais também se mobilizam em prol de aumentar as suas verbas, vez que o salário de um Deputado Estadual pode ser de até 75% do valor de um Deputado Federal, e que o salário de um Vereador pode ser de 20% a 75% do salário de um Deputado Estadual. Já imaginou o ROUBO ROMBO que todo esse aumento fará nos cofres públicos nas escalas Federal, Estadual e Municipal?

Pouco tempo após a definição do aumento dos parlamentares surgiu uma nova discussão sobre salários. Desta vez em referência aos valores do salário mínimo, que é a quantia recebida pela grande maioria da população brasileira. Neste caso as discussões foram intermináveis, sendo definido um aumento de apenas 6,86%, somando um valor total de R$545,00.

A verdade é que, mais uma vez, andamos para trás, pois enquanto o salário mínimo do trabalhador de verdade (daqueles que representam a parte do Brasil que funciona) é discutido e rediscutido mil vezes para ter um aumento pequeno ridículo, os nossos ilustríssimos parlamentares estão gozando do seu MEGA salário e das dezenas de benefícios para continuar no seu mundinho regado de corrupção, inércia e lavagem de dinheiro.

Assista ao vídeo a seguir, feito com base em um estudo de 2007 (antes deste mega aumento no salário dos deputados federais e senadores).


Outro vídeo importante é o da fala da professora Amanda Gurgel na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grando do Norte, dividindo um pouco da sua realidade financeira e da realidade como professora:




Wantuil Júnior de Angelo Lima 

terça-feira, 1 de março de 2011

A FICHA DA ´´PRESIDENTA´´:

Nesta terça, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, participou do programa matinal da apresentadora Ana Maria Braga. Durante o programa Dilma afirmou que ser presidente é como escalar o Everest todos os dias, tamanho o número de problemas a solucionar e de decisões a serem proferidas. Ora, será que ela pensou que ocuparia por 04 anos o maior mandato do Poder Executivo brasileiro e ficaria durante todo esse tempo de férias no Palácio da Alvorada?
Se pararmos para analisar a magnitude de um país como o Brasil, com uma extensão territorial de proporções continentais e com cento e noventa milhões de habitantes, em apenas uma fração de segundos nos daremos conta de que há muita complexidade e também muita responsabilidade sobre o cargo que hoje Dilma ocupa.
Já se foi, a muito, o tempo de alguém se lamentar sobre a eleição da nossa ilustre presidente; foi eleita e está devidamente empossada, ponto. No entanto, declarações como essa feita por Dilma abrem margem para os questionamentos que seguem: será que ela tinha noção das reais proporções que o cargo de Presidente da República representa quando se dispôs a ser candidata? Será que ela entende quão grande é a responsabilidade que adquiriu com esse cargo?
O que me parece é que a ficha começou a cair. Depois de tantas festas, comemorações e cerimônias é hora de trabalhar, é hora de fazer valer os votos que a elegeram, afinal, a maioria dos eleitores que compareceram às urnas no segundo turno das eleições depositou em Dilma as suas esperanças de um Brasil melhor; e a minoria, se ainda não o faz, deve fazer o mesmo. É hora de apoiar, de acreditar e de depositar nela as nossas esperanças; mas o povo nunca deve se esquecer de COBRAR.
Por hora, o melhor é crer que isso tudo é apenas um bom sinal de que a nossa ´´presidenta´´ está disposta a trabalhar, pois estranho seria analisar friamente as declarações da Dilma e ficar na dúvida sobre o que uma pessoa com um Everest de problemas para resolver todos os dias está fazendo ao passar a manhã inteira em um programa de grande audiência. Porque, se assim for feito, a única resposta plausível é que nossa companheira Dilma está simplesmente seguindo os passos do seu padrinho e antecessor, se preocupando mais com flashes do que com o grande Everest que acumula na sua mesa de trabalho.

Wantuil Júnior de Angelo Lima

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

COMO TRAFEGAR?

Cada dia que passa fica mais fácil a locomoção e o trânsito das pessoas. Isso é uma excelente conseqüência de todo o avanço tecnológico do mundo atual. Porém, nem tudo são flores.
Ao contextualizar o tema para o Brasil, vamos notar que há muito a ser feito. Tudo bem que nunca foi tão fácil e acessível viajar de avião, por exemplo. Todavia, para viagens de pequenas distâncias, a melhor solução, e a mais viável, ainda é por terra, e ai é que mora o grande problema.
Vemos governos exaltando os seus esforços na área da infra-estrutura rodoviária como se isso fosse um grande mérito deles, e não uma obrigação. Agravante deste fato são os planejamentos de péssima qualidade, além de gastos exorbitantes e materiais de padrão duvidável, ou seja, os investimentos são mal feitos e o dinheiro público é gasto de maneira completamente irresponsável.
Nossas rodovias estão sucateadas, com asfalto de péssima qualidade, e com reparos insuficientes. Os líderes do Poder Executivo apenas maquiam a real situação no intuito único de angariar votos e de encher os bolsos (ou cuecas) deles próprios e dos seus empresários aliados.
Na verdade, meu objetivo neste texto nem é entrar no mérito de quão suja é a Administração Pública no nosso país, até porque isso não é nenhuma novidade. O que me propus comentar é, de fato, a pobreza dos planejamentos e a imensa gama de investimentos mal feitos.
As estradas brasileiras estão defasadas, não suportam a grande demanda de veículos que por nelas trafegam. Vias rodoviárias importantes do país precisam de ampliações urgentes, pois, além de melhorar o escoamento de bens, produtos e serviços, elas oferecerão mais segurança aos que nelas trafegarem. Porém, infelizmente, no Brasil, ampliação e melhoria de rodovia é sinônimo de pedágio para o contribuinte, este fato, implicitamente, nada mais é do que outra forma de beneficiar os membros e aliados da Administração Pública.
Engana-se quem pensa que, apesar de ruim, o problema seja solucionado com a privatização de uma rodovia. Exemplo disso é a BR-101 norte-fluminense, que está toda privatizada, no entanto, em condições deprimentes e muito pior do que muitas rodovias federais que ainda não foram entregues a particulares.
Ao analisar toda essa realidade, me questiono sobre qual será o motivo de não ser investido o dinheiro público em ferrovias no Brasil, um grande país exportador e grande produtor de matéria prima, além de ser um país auto-suficiente em muitas áreas e produtos, e por isso precisa garantir melhores meios de circulação das pessoas e da sua produção.
A conclusão que posso chegar é que não há motivação política por traz dessa vergonha que é o sistema de transporte brasileiro. É a velha mesquinharia do ´´pão e circo´´, onde a prioridade é dada para gastos fúteis ou para gastos que são vistos pela população, sejam eles com enfeites de natal ou até mesmo com o carnaval, pois é isso que o povo quer. O povo não se importa com o que é necessário, prefere brincar de ser feliz e acaba dando mais importância àquilo que lhe for melhor para o momento. IMEDIATISMO. E só vai reclamar da situação calamitosa em que se encontram nossas estradas quando REALMENTE precisarem delas ou quando uma pessoa próxima for vitimada por algum problema derivado da má conservação das vias.
Wantuil Júnior de Angelo Lima



CURIOSIDADE:



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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

LATIFÚNDIO FUNDIDO, IMENSURAVELMENTE DIFUNDIDO

Diariamente recebemos notícias de escândalos sobre corrupção envolvendo políticos tupiniquins. Já faz parte do cotidiano do cidadão brasileiro, é tantot, que faz confundir história com presente e nos dá uma péssima previsão racional do futuro.
Esse fato já passou a muito do preocupante, está soldado, fundido, e só mesmo muita lenha e fogo pra desgrudar essa neoplasia metálica da oxidada estrutura chamada Brasil. Isso se tornou normal, uma parte de nós, nem nos incomoda mais. Uma verdadeira FALTA DE VERGONHA NA CARA GENERALIZADA.
A situação da corrupção no Brasil é tão grave que a ´´fábrica´´ de corruptos não consegue cumprir a demanda de pedidos que lhe é endereçada. O pior disso tudo é que este problema vai muito além da pessoa daqueles homens e mulheres que são eleitos pelo voto popular. Essa corrupção começa pela omissão de todos que votam. Falta amor à pátria mãe, uma vez que o amor se restringe apenas ao patrimônio pessoal de cada indivíduo. E se o indivíduo não possuir nenhum bem de cunho patrimonial, será possível perceber que lhe falta amor próprio, e isso induzirá esse cidadão à prática de crimes para saciar o seu desejo de ser percebido pela sociedade e fazer parte dela.
Infelizmente não é possível medir em números o nível de corrupção que existe no Brasil, porque os casos descobertos são apenas a superfície de um imenso iceberg. E a tendência é piorar, pois enquanto não enxergarmos o nosso país e o nosso povo como uma coletividade, um todo, que precisa da dedicação e da atenção de cada um que dele faz parte, não haverá mudança. O que vemos é apenas pessoas dizendo que amam essa terra, mas apenas se beneficiam, como a família Batista, ou pessoas como ACM, Sarney e Maluf, por exemplo, que tiram total proveito das nossas riquezas em benefício próprio, quando deveriam fazê-lo EXCLUSIVAMENTE em benefício de TODA a coletividade.

Wantuil Júnior de Angelo Lima

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ANO NOVO, VIDA VELHA...

Ano novo, governo novo, novas autoridades empossadas e assim continua a vida. Vida, que vida?
Quando o ano se inicia, nós brasileiros buscamos logo a melhor forma de nos aglomerar nas nossas praias, balneários e afins, para mais uma vez curtir o sol, as festas, as bebidas e esperar o carnaval chegar, para dar as nossas costas ao resto do mundo e nos enclausurar no nosso particular conceito de felicidade.
Uma felicidade transitória, tão velha, quanto nova, onde mudam nomes e adjetivos, porém, permanecem os mesmos vícios comportamentais. Exemplo disso é ´Passione´; passou, acabou, e agora? O chão sumiu? Óbvio que não, pois temos “Insensato coração” para suprir o espaço deixado por aquela. Veremos novamente o mesmo blá-blá-blá, todavia vivido ficticiamente por outras personagens, com estórias completamente infrutíferas; mas tudo bem, é disso que gostamos! Entretanto, se uma nova novela não for o suficiente temos o nosso querido Big Brother para acalentar nossas noites, enquanto nos conformamos com o Insensato Coração que permeia o interior de cada um de nós.
Quando o ano começa não podemos nos desligar do time do nosso coração, pois precisamos saber como estão os preparativos para mais uma temporada. É necessário saber quem chega e quem sai, porque se não estivermos cientes não teremos nenhum assunto nas rodinhas de amigos, já que é praticamente apenas isso que se discute.
Ano chega, ano passa, e nada muda. O ciclo é o mesmo. O tempo vago do brasileiro é gasto em um ócio completamente infrutífero, que em nada se aproveita. Nós somos amantes da ilusão, protagonistas de um completo “umbigocentrismo” enraizado em cada cidadão desta nação. ILUSÃO. Felicidade completa é olhar para o lado e ver o seu igual com as mesmas oportunidades; é vislumbrar chance de sucesso para todos e conseguir os cidadãos tenham poder crítico sobre o que lhes é oferecido e apresentado. No entanto, dificilmente veremos isso enquanto aqueles que podem ajudar estiverem preocupados em utilizar o seu tempo com afazeres diários que em nada contribuem para o crescimento da coletividade. EGOÍSMO.

Enquanto alguns morrem de fome e sede, outros morrem engasgados da sua gula capitalista. Infelizmente é esse o nosso Brasil, que agoniza abandonado.

Wantuil Júnior d´Angelo Lima

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DEBATE RELIGIOSO EM ELEIÇÕES, ATÉ QUE PONTO?

As eleições que se passaram ficaram marcadas pelo debate político de cunho religioso, promovido quase que exclusivamente pelos seguidores da doutrina cristã. Será que este debate é salutar? A religião deve influenciar na política?

No Brasil, vivemos em uma democracia que se propõe a ser laica, onde as pessoas são livres para manifestar o seu pensamento e livres para cultuar a qualquer divindade. Sendo assim, com toda esta liberdade, não há como exigir que o cidadão abstraia de si toda a bagagem ética, cultural e religiosa que carrega consigo.
Alguns dizem que as igrejas ou as religiões não devem se manifestar em época de eleição, como também acreditam que os políticos não podem manifestar publicamente a sua fé. Entretanto, ouso discordar deste pensamento; pois cada pessoa, seja ela eleitor ou candidato, possui os seus princípios, suas perspectivas, suas experiências de vida e suas convicções. Não creio que um eleitor consciente vote em um candidato que tenha essas características e aspirações muito diferentes das suas, afinal, o político, quando eleito e devidamente empossado, representa aqueles que a ele dedicaram os seus votos.
Existe, também, aqueles que afirmam ser errado que em determinada casa legislativa haja a bancada X ou a bancada Y, empenhadas em defender direitos de um restrito grupo ou da classe social que eles representam. Isso, do ponto de vista frio e calculista da ciência política, pode ser visto como um erro, todavia, analisando sob a ótica pragmática não existe reprovação alguma, vez que, ao exercerem a função pela qual foram eleitos, os legisladores buscarão apoio entre os colegas de cargo que possuam planos de atuação paralelos aos seus, para que juntos possam aprovar medidas e leis que entendam como benéficas aos seus representados e a toda coletividade.
O que precisa ser entendido, é que, em democracia, a promoção de qualquer debate é benéfica e deve ser digna de elogios. Seja ela levantada por quem quer que seja; desde que tenha o objetivo de discutir o melhor para o futuro da nação. Mais louvável ainda é o debate ser proposto em um momento tão crítico quanto o que o Brasil vive, no que se refere à grande passividade e à alarmante leviandade como o povo brasileiro tem tratado a política. Neste sentido, é possível chegar à conclusão de que o levante feito pelas lideranças de muitos segmentos cristãos é extremamente salutar para a democracia brasileira. E que isso sirva de aprendizado e de estímulo a todos os cidadãos, para que o brasileiro volte a discutir política, volte a reclamar os seus direitos como nação, e que as ruas e avenidas desta nação voltem a ouvir os brados de soberania do povo.
Wantuil Júnior d'Angelo Lima






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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

PROCURA-SE AUMENTO

Chega a ser cômico comentar o aumento salarial definido para os deputados federais e senadores. Uma “brincadeira” que custará, por ano, um gasto de cento e quarenta e dois milhões de reais a mais nas duas casas do Congresso.
O reajuste, nada mais é, do que um aumento de 62% no orçamento mensal de cada legislador, isso mesmo, SESSENTA E DOIS POR CENTO. O melhor disso tudo é que o governo federal definiu um salário mínimo no valor de R$510,00 como suficiente para um pai de família sustentar a sua casa durante todo um mês de árduo trabalho, valor este, que se comparado ao do novo salário dos membros do Congresso Nacional é totalmente insignificante.
Como se não bastasse essa mudança estabelecida no plano federal, nos Estados, as Assembléias Legislativas estão se mobilizando em prol do aumento salarial de seus membros, já que a Lei brasileira permite que o salário dos deputados estaduais seja de até 75% em relação aos salários dos legisladores federais. Resumindo: o circo está armado, os convidados estão devidamente acomodados e o povo já se vestiu em roupas coloridas, perucas e nariz vermelho, para, mais uma vez, fazer uma grande apresentação no picadeiro, em que os nossos amados e bem pagos espectadores darão muitas e boas risadas.
Mas não pense que tudo é festa, porque em meio a esse tempo de “caça ao aumento” vemos que muitas espécies já se encontram em extinção, dentre as quais podem ser destacadas a vergonha na cara dos políticos, a moradia digna para toda a população, hospitais aparelhados e com contingente para atender a demanda, escolas de base decentes, universidades públicas para todos, saneamento básico, e muitas outras que já nem precisam ser destacadas, pois os últimos resquícios de suas presenças em solo brasileiro se encontram fossilizados.
A conclusão que podemos tirar de toda essa “Tiriricada”, é que os verdadeiros palhaços somos nós, verdadeiros bobos da corte que apenas servem para alegrar o tédio de toda a nobreza. E pelo visto gostamos do nosso ofício, já que, calados, elegemos e re-elegemos a cada dois anos a nossa querida platéia de “caçadores de aumento”, que se preocupam apenas com o bem-estar próprio, e estão tão concentrados nisso, que não são capazes de entender, sequer, o que é ser um representante do povo.

Wantuil Júnior d'Angelo Lima



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domingo, 12 de dezembro de 2010

CADÊ O POVO?

Pouco tempo após um pleito tão importante quanto ao que se passou alguns dias atrás, eu volto a me fazer um questionamento que volta e meia me perturba: “onde está o povo brasileiro?”.
Um povo que se orgulha tanto do seu passado, em que a luta popular e o movimento das massas foram tão intensas e tão importantes para concretizar mudanças significativas no país não pode viver no conformismo.
Por onde se anda, nota-se, ao conversar com as pessoas, que o brasileiro não está satisfeito com a política que é exercida na atualidade. Escândalos atrás de escândalos, corrupção deslavada, jogos de interesse, homicídios, trocas de poder, votos combinados no legislativo, compras e venda de licitações, compra de votos em eleições, e mesmo assim nada, nenhuma mobilização.
Como pode haver inconformismo se não há nenhuma manifestação disso? A Constituição da República de 1988 é expressa em seu art. 1°, § 1° ao aclamar a soberania do povo no território brasileiro, soberania essa com a aplicação prática orientada no art. 14 da mesma Carta Magna, e mesmo assim nada.
O que eu não entendo, é o porquê de o povo ter parado de protestar, parado de se mobilizar, e sumido das ruas em formas de manifestação da soberania popular. Na ditadura, mesmo com todas as dificuldades a atuação popular se fez presente de forma marcante pela busca da democracia. Outra época não muito distante que pode ser destacada é no impeachment do Collor, quando a mobilização das massas também foi primordial para que os rumos do país fossem os que a história hoje nos conta.
Será que vamos ter que continuar a nos reportar ao passado para identificar a atuação do povo brasileiro? Será que vamos nos contentar em votar silenciosamente e ficar sentados nas nossas confortáveis poltronas para assistir ao show de escândalos diários dos nossos políticos totalmente despreparados e mal intencionados, como se nada disso fosse afetar diretamente as nossas vidas?
Já passou da hora de mudar a nossa postura. É hora de assumir a posição de protagonistas, hora de fazer a diferença na sociedade em que estamos inseridos, só assim exerceremos de fato a nossa soberania e somente desta forma poderemos mudar o trágico presente político-social que estamos vivendo.

Wantuil Júnior d'Angelo Lima

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